quarta-feira, 5 de maio de 2010

Canção do Dia de Sempre


Tão bom viver dia a dia…

A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos

Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,

Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos

Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:

Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,

Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança

das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho

Nas tuas mãos distraídas…


Mário Quintana

domingo, 12 de julho de 2009

O Remédio Objetivo

" Isidoro Viana, colaborador nos serviços da caridade cristã, não obstante o devotamento com que entregara aos princípios evangélicos, torturava-se, infinitamente, ante os golpes da crítica.

Nas sessões do grupo, vivia em queixas constantes.

Tão logo se incorporava Policarpo, o benfeitor espiritual que dirigia a casa, intervinha Isidoro, reclamando:

- Irmão Policarpo, estou exausto! Que me aconselha? O mau juízo sufoca-me. Se cumpro minhas obrigações, chmam-me bajulador; se me afasto do dever durante alguns minutos, acusam-me de preguiçoso. Se tomo a iniciativa do bem, declaram-me afoito, e, se aguardo a cooperação de alguém, classificam-me de tardio. Que fazer?

O mentor desencarnado contornava o problema, delicadamente, e acabava asseverando:

- O plano terrestre, meu amigo, ainda é de enormes contrastes. A luz é combatida pelas trevas, o mal pelo bem. A hostilidade que a ignorância nos abre favorece o trabalho geral de esclarecimento. Tenhamos calma e prossigamos a serviço de Nosso Senhor, que nos ajudou até à cruz.

O companheiro choramingava e, na próxima reunião, voltava a pedir:

- Irmão Policarpo, que tentar em favor da harmonia? Minha boa-vontade é inexcedível, entretanto, como proceder ante os adversários gratuitos? O cerco dessa gente é isuportável. Não consigo caminhar em paz. Se rendo culto à gentileza, abrindo o espírito à ternura dos amigos, dizem que sou explorador da confiança alheia e, se busco isolar-me, atento aos compromissos que assumi, afirmam que não passo de orgulhoso e mau irmão.

O protetor respondia, tolerante:

- A tarefa, meu amigo, serámesmo assim. Quem conhece Jesus deve desculpar a leviandade daqueles que ainda não o conhecem. Aliás, a obra de evangelização das almas demanda paciência e perdão, com sacrifício de nós mesmos. Se não nos dispusermos a sofrer, de algum modo, pela causa do bem vitorioso, quem nos libertará do mal? Tenhamos suficiente valor e imitemos o exemplo de suprema renúncia do Mestre.

Isidoro gemia, concordando a contragosto; contudo, na semana seguinte, repisava:

- Irmão Policarpo, que será de mim? A opinião do mundo é obstáculo intransponível. Não aguento mais. Em tudo a censura castiga. Se dou recursos materiais, contribuindo nas obras da compaixão fraternal, sou apontado por vaidoso com mania de ostentação, e, se procuro retrair-me, de alguma corte, gritam por aí que tenho um coração empedernido e gangrenado. A incompreensão dá para enlouquecer. Como agir?

O amigo generoso replicava, sereno:

- Semelhantes conflitos são injunções da luta santificante. Quem muito fala aprenderá, mais tarde, a calar-se... Não se prenda às desarminias alheias. Ligue-se ao bem e acompanhe as sugestões mais nobres. Enquanto a imperfeição dominar as almas, a crítica será um estilete afiado convocando-nos à demonstração das mais altas virtudes. Coloque sua mente e seu coração na Vontade do Senhor e caminhe para frente, As árvores ressequidas ou estéreis jamais recebem pedradas. Não têm frutos que tente os que passam. Avancemos corajosos no trabalho cristão.

Isidoro lamentava-se e o assunto transferia-se à reunião imediata.

De semana a semana, o aprendiz chorão multiplicava perguntas, até que, certa noite, agastado talvez com os incessantes apelos à serenidade que o instrutor lhe propunha, exclamou, desesperado:

- O que eu desejo, irmão Policarpo, é uma orientação decisiva contra os ataques indébitos. Que medida adotar para não sermos perturbados? Como anular a reprovação desalentadora? Por que processo nos livrarmos dela? Com furtar-nos ao remoque, à deturpação, à maldade? Como furtar-nos ao remoque, à deturpação, à maldade?

O benfeitor espiritual sorriu, magnânimo, e acentuou:

- Ah! já sei... Você pede um remédio objetivo...

- Isto mesmo! - tornou Isidoro, ansioso.

- Pois bem - concluiu o amigo espiritual, benevolente -, a única medida aconselhável é a paralisia da consciência. Tome meio quilo de anestésicos por dia, descanse o corpo em poltronas e leitos, durma o resto da existência, despreocupe-se de todos os deveres, fuja à aspiração de elevar-se, resigne-se à própria ignorância e cole-se a ela, tanto quanto a ostra se agarra ao penedo, e, desde que você se faça completamente inútil, por mais nada a fazer, a crítica baterá em retirada. Experimente e verá.

Isidoro escutou a estranha fórmula de olhos arregalados e, daí por diante, começou a servir sem perguntar. "


"O Remédio Objetivo" em "Contos e Apólogos" - Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 23 de junho de 2009


"Quando a dúvida o assaltar, mantenha firme seu coração, no desejo sincero de perseverar até o fim.

Se a mágoa e a calúnia o feriram, não fique a lamentar-se inutilmente: gaste seu tempo em trabalhos construtivos, auxiliando a todos os que necessitam de seu apoio.

Não se deixe desfalecer pelas dores!

Ao constrário: eleve seu pensamento confiante, pedindo o socorro do Alto."


Carlos Torres Pastorino em "Minuto de Sabedoria" - página 107.

domingo, 5 de abril de 2009

Exemplo de Vida

"Se não fizermos nossa parte agora, se quisermos fazer amanhã, talvez não dê mais tempo." (Andressa Barragana)



video

sábado, 4 de abril de 2009

APRESENTAÇÃO DO HUAP VOLUNTÁRIO

O HUAP Voluntário nasceu de um sonho antigo do Projeto de Humanização. A partir de um evento para comemorar o Dia das Mães teve início as primeiras idéias para nascer o projeto de voluntariado do Hospital. A idéia de comemorar o Dia das Mães surgiu dentro do GTH (Grupo de Trabalho da Humanização) durante uma de suas reuniões. Um dos membros sugeriu o nome de "Mamãe eu quero" para o evento. O nome foi aceito em virtude de todas as possibilidades de se revelar desejos das mães para a instituição. Na ocasião, não havia espaço físico para realizar o evento. Em nossas caminhadas, descobrimos, no 3º andar do prédio principal, uma enorme enfermaria desativada, antiga Clínica de Apoio. O espaço físico, desativado há anos, era ocupado por pacientes cirúrgicos masculinos, vítimas, em sua maioria, de politrauma de extrema gravidade. Muitos pacientes obitavam, em virtude da gravidade de seus quadros, daí o apelido de "Vietnam". O local, em péssimas condições de higiene, deu lugar à limpeza e à ordem pelas mãos dos elementos do GTH, juntamente com os pacinetes, acompanhantes e funcionários interessados no evento. Durante uma semana de preparativos para a festa, o local foi visitado diariamente pelos funcionários, pacientes e acompanhantes que pintaram painéis, deixaram mensagens nas paredes, enfim, o evento foi participativo e motivo de criação de arte. Na ocasião, observávamos a alegria dos pacientes e acompanhantes que vivenciaram momentos de puro contentamento e lazer. Surgiu, aí, o primeiro sub-projeto do HUAP Voluntário, o projeto Criarte. Trata-se de um projeto de oficina cujo objetivo principal é o desenvolvimento de atividades artesanais com fins terapêuticos.
Atualmente, os objetivos do HUAP Voluntário são:

Objetivo Geral:

Propiciar a implantação de novas iniciativas de caráter assistencial, que levem à qualidade de atendimento e consequentemente, à satisfação e autonomia dos sujeitos envolvidos no processo de trabalho voluntário (paciente, acompanhantes, funcionários e voluntários), favorecendo a integralização da comunidade com o próprio hospital,

Objetivos Específicos:

  • Apresentar propostas para a valorização dos pacientes, acompanhantes, familiares que adentram as unidades hospitalares;
  • Contribuir indiretamente para o processo de humanzação de todos os sujeitos envolvidos;
  • Possibilitar as vivências de diversas vertentes dentro do processo de "terapilização" buscando a integralidade da saúde do grupo assistido;
  • Estimular novas formas de cuidar que valorizem o homem em sua integralidade;
  • Estimular o processo criativo de todos os sujeitos envolvidos;
  • Colaborar com o Hospital Universitário Antônio Pedro na realização e captação de recursos humanos para projetos, programas e ações que visem a melhoria do HUAP Voluntário;
  • Valorizar os programas, projetos e ações demelhorias priorizadas pelo Hospital Universitário Antônio Pedro;
  • Prestar apoio material, social e espiritual aos pacientes que dele precisem.
Os voluntários do HUAP Voluntário atuam na organização, planejamento e desenvolvimento de atividades com os pacientes em tratamento e seus acompanhantes, criando um clima positivo e propiciando momentos de lazer, relaxamento, distração, além do apoio espiritual em momentos de crise (Capelania Evangélica e Pastoral da Saúde), diminuindo, assim, os medos, angústias e inseguranças oriundos do processo de tratamento e internação.

domingo, 8 de março de 2009

Consumo de crack se torna problema de saúde pública no RS

O governo fala em epidemia: mais de 50 mil pessoas seriam dependentes.
As famílias atingidas sofrem com deficiência no atendimento.

Do G1, em São Paulo, com informações do Jornal Nacional


No Rio Grande do Sul, uma epidemia toma as ruas das grande cidades e assusta: o consumo de crack já afeta milhares de pessoas. E o estado começa a sofrer para tratar quem procura ajuda.

Em Porto Alegre, crianças e adultos consomem crack numa das avenidas mais movimentadas da cidade. A ação policial não tira o problema das ruas. Em vez de encaminhar os adolescentes para a Justiça, os policiais liberam os garotos. Minutos depois, eles voltam a se drogar.


O crack chegou ao estado há apenas dez anos. Mas a droga se espalhou com tanta rapidez que começa a desestruturar o sistema de saúde.

O governo fala em epidemia: mais de 50 mil pessoas seriam dependentes. Além da doença, as famílias atingidas sofrem com a deficiência no atendimento.


No principal hospital psiquiátrico público da capital gaúcha, a espera é longa. Muitos estão ali por decisão judicial, e mesmo assim precisam aguardar. Famílias improvisam camas no saguão do hospital.


A maioria é adolescente, como um jovem de 16 anos que pensava ter controle sobre a droga. "No começo, tu 'acha' que tem domínio. Eu trabalhava e fumava só no fim do mês. Agora, três, quatro dias sem dormir, vendendo todas as coisas”, diz.


O secretário de Saúde do RS, Osmar Terra, diz que há 80 hospitais que de seis meses para cá estão atendendo quem tem problemas com o crack.

O Ministério Público diz que a espera nessas condições é crime. E que o Estado e o Município poderão ser responsabilizados.


“Podemos enquadrar por crime de desobediência porque não está sendo prestado o atendimento ou até mesmo multa ao gestor do município ou do estado por descumprimento de decisão judicial e de comando legal”, diz Miguel Velasquez, promotor de Justiça.

terça-feira, 3 de março de 2009

Entrevista com Flávio Mussa Tavares em "O Consolador"


Revista O Consolador,
Ano 2 - N° 96 – 1º de Março de 2009
Por
ORSON PETER CARRARA


Filho do saudoso escritor Clóvis Tavares, Flávio Mussa Tavares fala sobre a pessoa e a obra de seu pai, autor de obras espíritas importantes e um dos pioneiros das
mocidades espíritas no Brasil


Nosso entrevistado, Flávio Mussa Tavares (foto), é filho do notável escritor e palestrante espírita Clóvis Tavares, que deixou expressiva contribuição literária para expansão do pensamento espírita. Flávio nasceu e reside em Campos dos Goytacazes (RJ), vincula-se à Escola Jesus Cristo, que atualmente preside.

Nascido em berço espírita, tem três livros publicados: Mandamentos de Deus, A Morte é simples mudança e Célia Lúcius, Santa Marina. Nas respostas do entrevistado, um pequeno resgate da memória do saudoso Clóvis.



O Consolador: Clóvis Tavares é um nome respeitado na literatura e no movimento espírita. Faça uma síntese biográfica dele.

Nasceu na localidade de São Sebastião, distrito de Campos, no dia 20 de janeiro de 1915, dia de São Sebastião. Viveu uma infância católica, ao lado do Padre francês, Emmille Des Touches. Na juventude, integrou um grupo de jovens que combatiam a exploração do homem pelo homem e foi dirigente político do PCB. Após a morte de sua noiva, tornou-se espírita ao reconhecê-la numa comunicação mediúnica com muitos traços de autenticidade, bastante para convencer um jovem dogmático e ateu. Após sua conversão, funda a Escola Jesus Cristo à qual dedicou-se até os 69 anos, quando desencarnou na mesma cidade.

O Consolador: Quais foram os livros que ele publicou?

Escreveu uma série de livros infantis: Dez Mandamentos, Histórias que Jesus Contou, Meu Livrinho de Orações, Vida de Allan Kardec para a Infância. Escreveu também biografias: João Batista, Vida de Pietro Ubaldi, Trinta Anos com Chico Xavier, Amor e Sabedoria de Emmanuel. Escreveu ainda livros com conteúdo filosófico-religioso: De Jesus para os que Sofrem, Sal da Terra, Rocha dos Séculos. Publicou livro de pesquisa biográfica e mediúnica: Mediunidade dos Santos. E um livro em parceria com Chico Xavier: Tempo e Amor. Uma nota triste é que a LAKE, que publica os livros infantis, adulterou à sua revelia o conteúdo do livro Meu Livrinho de Orações.

O Consolador: Como ele se tornou espírita? Ele chegou a fundar instituições? A qual se vinculou mais diretamente?

A sua profissão de fé, solenemente entregue à Federação Espírita Brasileira, na pessoa do Dr. Guillon Ribeiro, deu-se após uma comunicação do Espírito de Nina Arueira, sua noiva prematuramente desencarnada. Logo após, seguindo diretrizes espirituais, fundou a Escola Jesus Cristo. Foi a única instituição espírita à qual se vinculou.

O Consolador: Quem foi Nina Arueira na vida de Clóvis e que influência exerceu sobre ele?

Nina Arueira era uma jovem destemida e avançada no tempo, que viveu em Campos na década de 30. Escrevia artigos para os jornais da cidade, fazia conferências em teatros, liderava movimentos estudantis e operários até que vitimou-se de uma febre tifoide que a internou por alguns meses na casa de um senhor espírita que conseguiu convencê-la da verdade espiritual do ser humano e da justiça divina através da lei da reencarnação e de causa e efeito. Após sua morte, o choque emocional de meu pai fê-lo procurar uma senhora em Campos que transmitiu os recados para ele, na mesma forma e na língua em que eles se escreviam particularmente: inglês. A partir daí, conheceu Chico Xavier, o que mudou para sempre seu destino.

O Consolador: E como foram o encontro e a convivência com Chico Xavier e Pietro Ubaldi?

Chico Xavier e meu pai se conheceram em 1936, mas passaram a se visitar e trocar correspondência a partir de 1938, o que durou até 1983. De Chico escreveu meu pai um livro de memórias que traz muitas verdades escondidas nas entrelinhas: Trinta Anos com Chico Xavier e Amor e Sabedoria de Emmanuel. As cartas são um repositório de sabedoria. Pietro Ubaldi foi seu correspondente de 1950 até início de 1972. Meu pai traduziu dele As Noúres, Ascese Mística e Problemas Atuais.

O Consolador: Após a desencarnação, ele enviou mensagens?

Meu pai enviou 6 cartas mediúnicas através de seu amigo Chico Xavier, que em breve devem ser publicadas com os devidos comentários num livro que se chama "A Saudade é o Metro do Amor".

O Consolador: Suas palestras eram caracterizadas pela eloquência e grande inspiração. Comente sobre isso. Elas foram transformadas em livros?

Suas palestras eram doutrinárias e evangélicas. Falava com o coração e empolgava e sensibilizava a muitos. Além dos livros que já preparamos com suas palestras, Rocha dos Séculos e Sal da Terra, estamos em contato com o produtor de vídeo Oceano Vieira de Melo, que está juntando material para um documentário em DVD sobre a vida e a obra de Clóvis Tavares, que deve ser lançado em 2010.

O Consolador: Comente a pesquisa de seu pai sobre a personagem Célia do célebre romance 50 Anos Depois, de Emmanuel.

Papai pesquisava em livrarias do Rio e nos sebos as vidas dos santos, para descobrir se eles foram médiuns e que tipos de mediunidade tinham. Um dia encontrou uma pequena brochura a respeito de certa Santa Marina, que havia vivido em Alexandria. Ao ler a pequena biografia, percebeu tratar-se exatamente de Célia Lúcius, que no mosteiro passou a chamar-se Irmão Marinho e que após sua morte, descoberta sua real identidade, foi chamada Santa Marina. E ele enfatizava como poderia o Chico conhecer este mundo inesgotável de sabedoria, cultura e ciência? Ajuntando seus apontamentos, lancei em 18 de junho de 2008, dia consagrado na Igreja católica, em Veneza, a Santa Marina, o livro que relata as coincidências do livro 50 Anos Depois com os diversos textos das igrejas católica, maronita do Líbano, ortodoxas grega e russa.

O Consolador: Como filho, quais os aspectos mais marcantes da convivência com Clóvis, tanto no âmbito familiar como nas atividades espíritas?

Papai marcou pela correção de seu proceder na vida, pela lealdade aos princípios cristãos e espíritas e acima de tudo por viver absolutamente em consonância com os princípios que pregava. Em família, era um pai zeloso e sempre disponível para as nossas necessidades materiais e espirituais.

O Consolador: E sobre o livro A Mediunidade dos Santos, o que você tem a dizer?

Mediunidade dos Santos é, segundo Chico Xavier, "a obra-prima do Clóvis”. Todas as informações ali contidas foram confirmadas por meu pai após a sua desencarnação, quando ele se encontrou com alguns dos seus biografados no plano espiritual. Isso ele relata em algumas de suas comunicações pelo lápis de Chico Xavier, que estão inseridas no livro A Saudade é o Metro do Amor, a publicar.

O Consolador: As obras Amor e Sabedoria de Emmanuel e Os Dez Mandamentos, marcantes na visão deste entrevistador, podem ser consideradas marcos na produção literária do autor?

São momentos bem diversos. A primeira foi um preito de gratidão ao nobre Espírito Emmanuel, que traz notícias e revelações. Foi o último livro que escreveu e que viu publicado. Já o segundo foi o seu primeiro trabalho publicado, dirigido especialmente ao público infantil, que necessita conhecer os detalhes da primeira revelação. Se a criança aprende a ética judaica expressa no Decálogo, entendia ele, ela está igualmente preparada para absorver a ética do Sermão da Montanha e, após isso, das Leis Morais, de O Livro dos Espíritos.

O Consolador: Todos os livros que ele escreveu estão disponíveis ou muitos se encontram esgotados?

Quase todos se encontram nas livrarias e distribuidoras, com exceção de Sal da Terra, que foi uma edição limitada e que em seis meses esgotou-se. Estamos à procura de uma editora que o publique.

O Consolador: Acrescente informações que você julga importantes para conhecimento dos nossos leitores.

Meu pai fundou dois orfanatos na Escola Jesus Cristo. Um feminino, que permaneceu por mais de 50 anos, e outro masculino que durou menos, e que foi dirigido por ele mesmo. Educou dezenas de meninos e meninas, usando sempre uma recordação do Dr. Bezerra de Menezes: "Nada Pedir, Nada Reclamar". Fundou em consonância com Leopoldo Machado uma das primeiras Mocidades Espíritas do Brasil em 1940 e iniciou, ainda na década de 30, um estudo sistematizado da Codificação Espírita que permanece até hoje, seguindo o seu modelo, sem férias e aberto à comunidade.

O Consolador: Suas palavras finais.

Espero que possamos reconhecer os fundamentos doutrinários do Espiritismo, vivê-los de modo simples e multiplicá-los. Multiplicar bênçãos é um dever de todos que entenderam a parábola do Semeador. E assim, espalhando conhecimento, alegria e fraternidade, foi o que o meu pai fez.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sobre falsidades ditas a respeito da Escola Jesus Cristo




Pedi licença ao doutor Flávio Mussa, presidente da Escola Jesus Cristo, em Campos dos Goytacazes, para reproduzir em meu blog sua última postagem (http://espiritismocristao.blogspot.com/):




A foto acima é do almoço oferecido aos assistidos da Escola no último 14 de dezembro



"Enviei esse e-mail ao jornalista Saulo Pessanha, que em sua coluna da Folha da Manhã de 08/12/2008 insinuou de modo ácido que a Escola Jesus Cristo despreocupou-se de sua ação social em função de gastos com segurança.


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Caro jornalista Saulo Pessanha,

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Antes de qualquer ressalva às suas inserções do último dia 08 de dezembro em sua coluna da Folha da Manhã, quero reafirmar a dívida de gratidão que tenho com a sua pessoa, bem como as dos jornalista Sileno Martinho, Michele Mayrink e mais alguns que a memória de meu computador não registra mais, que no ano de 2005, ajudaram-me na divulgação das obras inéditas de Nina Arueira e Clóvis Tavares, meu Pai, então lançadas como celebração dos 70 anos da morte de Nina e dos 70 anos de fundação da Escola Jesus Cristo.

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Caro Jornalista Saulo Pessanha, neste ano de 2008, publicamos mais dois livros de meu Pai. Tratam-se de "João Batista" e "Rocha dos Séculos" que são estudos sobre os mais diversos assuntos sob a ótica espírita-cristã. A edição dos livros sempre é realizada com a ajuda financeira de amigos e revertida em favor de nossas obras.
Com respeito às notas copiadas abaixo:


"Pedido
A Escola Jesus Cristo, por conta da violência na cidade, está pedindo, veja só, um SOS financeiro à população. O presidente Flávio Mussa Tavares revela que a entidade tem sofrido pequenos assaltos quase que diariamente. Por conta disso, o que fez a escola? Colocou seguranças no período noturno. Mas acha pouco.
E mais...
Daí que providenciou um sistema de alarmes, ora em concorrência. Para bancá-lo, a Escola Jesus Cristo abriu uma conta no Banco do Brasil. Coisa inédita. O dinheiro doado, pelo menos na circular de Flávio Mussa, não é para o Natal dos assistidos ali. Mas para bancar o custeio da segurança. " ;

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é necessário fazer algumas correções às quais, presumo, após a leitura deste e-mail, o qual peço antecipadamente perdão por ser extenso, o senhor retificará no mesmo espaço dedicado às afirmativas.
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No último dia 27 de outubro a Escola Jesus Cristo completou 73 anos de fundação. Ela é mantida por seu quadro de associados que livremente estipulam a contribuição à instituição.
Durante cerca de 48 anos a Escola Jesus Cristo manteve, sem nenhum convênio público um orfanato para meninas que em determinadas épocas abrigava cerca de quarenta delas. Já existiu também um orfanato masculino no qual meu Pai, em sua solteirice cuidou de meninos, mas que durou menor período de tempo, cerca de 10 anos.

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Desde a década de 60 até meados da década de 90, o orfanato para meninas era da responsabilidade de uma senhora abnegada chamada Valdéia Ribeiro Bueno, que faleceu em 2003. O orfanato nos anos 80 começou a ficar desatualizado em função das novas exigências do Estatuto da Criança e do Adolescente, que a rigor é de 1990, mas é a culminância de muitas reestruturações do Serviço Social que sistematizou e profissionalizou o que antes era realizado apenas com a boa vontade.

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Na segunda metade da década de 90, a Sra. Valdéia, mesmo sem a companhia das crianças continuou, a despeito de sua idade, a residir na instituição. E lá vivia como uma zeladora carinhosa e bondosa com todos que lá buscavam acolhimento amigo durante a semana, em horários não convencionais, de reuniões da instituição. Essas visitas eram em quase a sua totalidade de moradores das comunidades do Tira-Gosto e Matadouro, que ali eram acolhidos com palavras de amor e alguns gêneros de primeira necessidade, muitas vezes de seu próprio consumo pessoal.

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Após seu desenlace em 2003, tivemos algumas pessoas que ali foram residir, mas que infelizmente nunca ficaram à altura da competência humana e espiritual de Valdéia.
Neste ano de 2008, ficamos, de imprevisto, sem zelador. Diga-se de passagem que nossos zeladores tem o perfil de um homem ou um casal que não tem residência própria e que ali passam a morar com conforto, além de direitos trabalhistas.

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Com a ausência do morador do local, tivemos a sequência de invasões com pequenos furtos e certos atos de vandalismo como sujar as dependências com fezes e algumas depredações.
Numa noite em que fomos chamados para ver os estragos causados por nossos visitantes indesejados, fomos constrangidos a tomar uma atitude de contratar uma vigilância noturna e apreçar a cerca elétrica.

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A segurança noturna já foi dispensada e a proteção elétrica ainda está acima de nossas possibilidades. Razão que me fez tomar a atitude de encaminhar uma solicitação dirigida especificamente a alguns amigos. Enviei o e-mail, assim, para algumas pessoas conhecidas, muitas delas que já frequentaram nossa instituição , solicitando uma contribuição para estas providências. Foi uma idéia muito infeliz, pois poucas foram as pessoas que dispuseram-se a fazer o depósito. E foi infeliz, ademais, pois resultou numa informação truncada e numa notificação na imprensa que feriu a história de nossa casa, jamais maculada na imprensa nestes 73 anos de trabalho espiritual, cultural e assistencial.

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Outro detalhe é que não foi aberta nenhuma conta corrente para essa finalidade. Esta é a única conta corrente da Escola Jesus Cristo, a qual achei mais razoável indicar os dados para eventuais amigos que se sensibilizassem com o meu comunicado limitado e reservado ou como dizem os franceses, "en petit comite".

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Alguns desses amigos tomaram a decisão por auto recreação, de repassar o mesmo, o que pode ter tido , como teve, um efeito de progressão geométrica. Nesse espraiamento da mensagem, é que, provavelmente, chegou ao seu computador, uma mensagem minha nos repasses feitos simplesmente com um teclar "enter".

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A título de maiores informações, quero ainda esclarecer ao nosso caro repórter, que nossas atividades em relação aos nossos assistidos sempre são realizadas sem nenhuma divulgação na mídia e muito menos com solicitação pública de recursos financeiros.

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Na atualidade, não temos mais orfanatos, que devem adequar-se à nova legislação, e ainda não temos estrutura para tal. Entretanto, temos cadastradas mais de cem famílias que são atendidas aos sábados, onde lhes é oferecido, além da cesta básica, estudos facilitados de Evangelho, aulas de artesanato e um coral de senhoras. Para o ano de 2009, já está programado um curso de Alfabetização de adultos. Continuamos sem nenhum convênio público e preferimos atuar com nossos próprios recursos.

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Encaminho ao senhor, Jornalista Saulo Pessanha, algumas fotos do almoço que fizemos com os assistidos na manhã do dia 14 de dezembro, na mesma semana em que foram publicadas as inverdades em sua coluna.

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Portanto, sem buscar nenhuma reparação para o meu nome, o qual reconheço indigno e imerecedor de qualquer evidência, solicito do senhor a reparação das notas desonrosas à Escola Jesus Cristo, que tem sido ao longo destes 73 anos um referencial de respeito, cultura, humanidade e constância. Ela se mantém funcionando ininterruptamente, inclusive em épocas como natal, ano novo, carnaval e outras, quando percebemos inclusive que há necessidade de existir um posto aberto para auxílio espiritual, quando se multiplicam os sofrimentos e as necessidades dos desesperançados.

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Ratifico minhas escusas pela longa missiva, todavia, não poderia furtar-me à necessária correção da informação, da qual a veracidade constitui a sua face bela.
Lembro também que o fato de uma instituição derivar suas preocupações com a segurança não significa de modo algum que esteja abandonando sua vocação primeira, assim como o fato de um chefe de família, preocupada com a segurança de sua casa, não o desobriga de preocupar-se com seus outros misteres.

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Conto assim, com a sua compreensão, no sentido de transmitir aos leitores desde matutino as informações coerentes com os fatos, desfazendo assim mal entendidos e evitando que necessitemos de interlocutores que são sempre mais indesejáveis que o estabelecimento de um diálogo franco e direto.

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Despedindo-me coloco-me à sua inteira disposição para maiores informações, inclusive para quando chegarem aos seus ouvidos, ou ao seu computador, informações que não sejam necessariamente verdadeiras.

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Informo também que este e-mail tem cópias para outros jornalistas da Folha da Manhã.
Preferindo fazer-nos uma visita, estarei também ao seu inteiro dispor nas sextas feiras às 20 horas ou nos domingos às 11 horas.

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Aproveitando a oportunidade da época, rogo a Jesus um Natal de Paz para o senhor, Jornalista Saulo Pessanha e para toda a sua família, bem como para os funcionários e diretores do Jornal Folha da Manhã.

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Flávio Mussa Tavares"




Uma pena a Escola, instituição septuagenária, que tanto contribui para o bem-estar da sociedade campista, ser alvo de tanta leviandade. Aos amigos, para que pensem antes de falar - ouvi, uma vez, que há quatro coisas que não se desfazem/apagam: a pedra atirada, a palavra dita, a ocasião perdida, e o tempo passado. Desconheço o autor.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mulheres

Mulheres

Pablo Neruda


Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.


Pablo Neruda



Eu, mamãe e Vanessa - por mim mesma ;)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Procuradores divulgam carta de repúdio a habeas corpus concedido por Gilmar Mendes

Folha Online

11/07/2008 - 17h36


Quarenta e dois procuradores da República divulgaram nesta sexta-feira (11) uma carta aberta à sociedade brasileira, na qual lamentam a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes no habeas corpus que tirou o banqueiro Daniel Dantas da prisão pela primeira vez, no dia 9 de julho.
Dez horas depois de ser libertado na terça, Dantas voltou a ser preso, desta vez preventivamente. O pedido foi feito pelo juiz da 6ª Vara, Fausto de Sanctis, que hoje é acusado pelo ministro Gilmar Mendes de mandar a Polícia Federal monitorar seu gabinete. Hoje, pela segunda vez, Mendes concedeu liminar para suspender a decisão da prisão preventiva do banqueiro. Na carta, os procuradores dizem que "as instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São Paulo". Leia a íntegra abaixo: Carta aberta à sociedade brasileira sobre a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4.

Dia de luto para as instituições democráticas brasileiras

1. Os Procuradores da República subscritos vêm manifestar seu pesar com a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4, em que são pacientes Daniel Valente Dantas e Outros. As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São Paulo.

2. As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela falsa aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Definitivamente não há normalidade na flagrante supressão de instâncias
do Judiciário brasileiro, sendo, nesse sentido, inédita a absurda decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.

3. Não se deve aceitar com normalidade o fato de que a possível participação em tentativa de suborno de Autoridade Policial não sirva de fundamento para o decreto de prisão provisória. Definitivamente não há normalidade na soltura, em tempo recorde, de investigado que pode ter atuado decisivamente para corromper e atrapalhar a legítima atuação de órgãos estatais.

4. O Regime Democrático foi frontalmente atingido pela decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, proferida em tempo recorde, desconstituindo as 175 (cento e setenta e cinco) páginas da decisão que decretou a prisão temporária de conhecidas pessoas da alta sociedade brasileira, sob o argumento da necessidade de proteção ao mais fraco. Definitivamente não há normalidade em se considerar grandes banqueiros investigados por servirem de mandantes para a corrupção de servidores públicos o lado mais fraco da sociedade.

5. As decisões judiciais, em um Estado Democrático de Direito, devem ser cumpridas, como o foi a malsinada decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Contudo, os Procuradores da República subscritos não podem permanecer silentes frente à descarada afronta às instituições democráticas brasileiras, sob pena de assim também contribuírem para a falsa aparência de normalidade que se pretende instaurar.

Brasil, 11 de julho de 2008.

Sérgio Luiz Pinel Dias - PRES
Paulo Guaresqui - PRES
Helder Magno da Silva - PRES
João Marques Brandão Neto - PRSC
Carlos Bruno Ferreira da Silva - PRRJ
Luiz Francisco Fernandes - PRR1
Janice Agostinho Barreto - PRR3
Luciana Sperb - PRM Guarulhos
Ramiro Rockembach da Silva Matos Teixeira de Almeida- PRBA
Ana Lúcia Amaral - PRR3
Luciana Loureiro - PRDF
Vitor Veggi - PRPB
Luiza Cristina Fonseca Frischeisen - PRR3
Elizeta Maria de Paiva Ramos - PRR1
Geraldo Assunção Tavares - PRCE
Rodrigo Santos - PRTO
Edmilson da Costa Barreiros Júnior - PRAM
Ana Letícia Absy - PRSP
Daniel de Resende Salgado - PRGO
Orlando Martello Junior - PRPR
Geraldo Fernando Magalhães - PRSP
Sérgio Gardenghi Suiama - PRSP
Adailton Ramos do Nascimento - PRMG
Adriana Scordamaglia - PRSP
Fernando Lacerda Dias - PRSP
Steven Shuniti Zwicker - PRM Guarulhos
Anderson Santos - PRBA
Edmar Machado - PRMG
Pablo Coutinho Barreto - PRPE
Maurício Ribeiro Manso - PRRJ
Julio de Castilhos - PRES
Águeda Aparecida Silva Souto - PRMG
Rodrigo Poerson - PRRJ
Carlos Vinicius Cabeleira - PRES
Marco Tulio Oliveira - PRGO
Andréia Bayão Pereira Freire - PRRJ
Fernanda Oliveira - PRM Ilhéus
Luiz Fernando Gaspar Costa - PRSP
Douglas Santos Araújo - PRAP
Paulo Roberto de Alencar Araripe Furtado - PRR1
Paulo Sérgio Duarte da Rocha Júnior - PRRN
Cristianna Dutra Brunelli Nácul - PRRS


Daniel Dantas é um dos detidos devido à Operação Satiagraha da Polícia Federal, que investiga desvio de verbas públicas e crimes financeiros.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um Juiz, sobre uma Mãe


Indaga-me, jovem amigo, se as sentenças podem ter alma e paixão. O esquema legal da sentença não proíbe que tenha alma, que nela pulsem vida e emoção, conforme o caso. Na minha própria vida de juiz senti muitas vezes que era preciso dar sangue e alma às sentenças.

Como devolver, por exemplo, a liberdade a uma mulher grávida, presa porque trazia consigo algumas gramas de maconha, sem penetrar na sua sensibilidade, na sua condição de pessoa humana? Foi o que tentei fazer ao libertar Edna, uma pobre mulher que estava presa há oito meses, prestes a dar à luz, com o despacho que a seguir transcrevo:

A acusada é multiplicadamente marginalizada:
Por ser mulher, numa sociedade machista…
Por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta.
Por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este mundo.
Por não ter saúde.
Por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si.
Mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar numa homenagem à maternidade, porém que, na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia.

É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho:
liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este mundo, com forças para lutar, sofrer e sobreviver.

Quando tanta gente foge da maternidade…
Quando pílulas anticoncepcionais, pagas por instituições estrangeiras, são distribuídas de graça e sem qualquer critério ao povo brasileiro…
Quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento, são esterilizadas…
Quando se deve afirmar ao mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da terra e não reduzir os comensais…
Quando, por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis, mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum, com o feto que traz dentro de si.
Este juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua mãe, se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão.

Saia livre, saia abençoada por Deus…
Saia com seu filho, traga seu filho à luz…
Porque cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um mundo novo, mais fraterno, mais puro, e algum dia cristão…
Expeça-se incontinenti o Alvará de Soltura.”

O artigo vem assinado pelo meritíssimo juiz João Batista Herkenhoff, livre-docente da Universidade Federal do Espírito Santo.

sábado, 17 de maio de 2008

Relato de Kim Phuc sobre o bombardeio



A foto da garota Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeio de napalm, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens da Guerra do Vietnã.
No momento em que a foto foi tirada, em 8 de junho de 1972, a vida de Kim Phuc, então com 9 anos, mudaria para sempre. Hoje, 32 anos depois, Kim Phuc é Embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO. Ela contou à BBC sua experiência.

"Em 1972, os americanos lançaram uma bomba de napalm em meu povoado, no sul do Vietnã.
Um fotógrafo, Nick Ut, tirou uma foto minha fugindo do fogo, a foto que hoje é tão famosa.
Eu me lembro que tinha 9 anos, era apenas uma menina. Naquela noite, nós do povoado havíamos ouvido que os vietcongues estavam vindo e que eles queriam usar a vila como base.
Então, quando já era dia, eles vieram e iniciaram os combates no povoado.
Nós estávamos muito assustados.
Eu me lembro que minha família decidiu procurar abrigo em um templo, porque nós acreditávamos que lá era um lugar sagrado.
Nós acreditávamos que, se nos escondêssemos lá, estaríamos a salvo.
Eu não cheguei a ver a explosão da bomba de napalm; só me lembro que, de repente, eu vi o fogo me cercando.
De repente, minhas roupas todas pegaram fogo, e eu sentia as chamas queimando meu corpo, especialmente meu braço.
Naquele momento, passou pela minha cabeça que eu ficaria feia por causa das queimaduras, que eu não ia mais ser uma criança como as outras.
Eu estava apavorada, porque de repente não vi mais ninguém perto de mim, só fogo e fumaça.
Eu estava chorando e, milagrosamente, ao correr meus pés não ficaram queimados.
Só sei que eu comecei a correr, correr e correr.
Meus pais não conseguiriam escapar do fogo, então eles decidiram voltar para o templo e continuar abrigados por lá.
Minha tia e dois de meus primos morreram.
Um deles tinha 3 anos e o outro só 9 meses, eram dois bebês.
Então, eu atravessei o fogo.

Queimaduras

O fotógrafo Nick Ut nos levou para um hospital das redondezas.
Assim que ele nos deixou lá, foi para uma sala escura revelar as fotos.
Depois, me falaram que eu e as outras pessoas feridas seriam transferidas para o hospital de Saigon.
Dois dias depois, meus pais me encontraram no hospital.
Eu passei bastante tempo no hospital: 14 meses.
Os médicos fizeram 17 cirurgias para curar as queimaduras de primeiro grau.
Metade do meu corpo ficou queimada.
Aquele foi um momento decisivo na minha vida.
A partir daí, eu comecei a sonhar em como ajudar outras pessoas. Meus pais guardaram a foto, que tinha saído num jornal, e depois a mostraram para mim."Esta é você, quando você estava ferida", disseram eles. Eu não consegui acreditar que era eu, era uma foto aterrorizante.
Eu acho que todas as pessoas deveriam ver essa foto,
mesmo hoje.
Porque essa foto mostra claramente como uma guerra é terrível para as crianças. Você pode ver o terror no meu rosto. Basta ver a foto, para as pessoas aprenderem.

Este texto foi adaptado de uma gravação feita para o site do BBC World Service em inglês.


The Kim Foundation and Save the Children
País: Timor Leste

http://www.time.com/time/asia/magazine/99/0913/timor.html

http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/1335939.stm

http://atimes.com/se-asia/CF15Ae01.html

video

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Muito Tarde

Muito tarde se percebe
Que se desprezou a chance,
Que não se fez o que pôde,
Que não se seguiu adiante...


Muito tarde é que se nota

O quanto se foi mesquinho,

De comportamento tolo,

De gesto deselegante...


Muito tarde se conclui

Que havia uma outra saída
Mais fácil e um outro caminho
Muito mais interessante...


Muito tarde se confessa

A culpa desnecessária,

O choro feito de erros,

O remorso castigante...


Muito tarde se avalia

A palavra inoportuna,

O gesto destemperado,

A atitude ignorante...


Muito tarde, muito tarde

A letra fora de hora,

O verbo fora do tempo,

O efeito desconcertante...

Muito tarde é que se sente

Que não se amou o suficiente...
"Muito tarde é que se vê
Que não se amou o bastante"...



Poesia de Luis Alberto Mussa Tavares -
http://quasepoesia.blogspot.com - médico e poeta =)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bezerra de Menezes - O Filme

"O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. O que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros os gastos da formatura. Esse é um desgraçado, que manda, para outro, o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do
seu espírito, a única que jamais se perderá nos vaivens da vida"।



video

Filme: Bezerra de Menezes - o Médico dos Pobres (Diário do Nordeste)


Filme "Bezerra de Menezes - O Médico dos Pobres"
Diário do Nordeste - 05/08/2007

Além do tempo

Bezerra de Menezes. Mais do que um nome familiar, a avenida - uma das maiores e mais populares de Fortaleza - homenageia uma personalidade cearense, infelizmente, ainda pouco conhecida por seus atuais conterrâneos. Resgatar sua trajetória de vida e suas principais contribuições para a sociedade brasileira são alguns dos objetivos do filme ´Bezerra de Menezes - O Médico dos Pobres´, que está em fase de finalização

Ela começa no Mercado São Sebastião e termina perto do Campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC). Nesse trajeto é possível encontrar tráfego intenso, comércio efervescente, residências, escolas, shoppings e até venda de cordas de caranguejos... Dinâmica. Assim como a Avenida Bezerra de Menezes, foi a vida do homem que emprestou seu nome à via.

Médico, político, espírita, abolicionista, defensor das causas ambientais, mas, acima de tudo, dedicado às causas sociais. Adolfo Bezerra de Menezes é tema de longa-metragem. Na verdade, um ´docudrama´, produção que mescla o gênero documentário e ficção.

Dirigido por Glauber Filho e Joe Pimentel, as filmagens de ´Bezerra de Menezes - O médico dos pobres´ tiveram início em maio e se estenderam até 15 de julho, nos municípios de Pacoti, Aratuba, Guaramiranga, Mulungu e Fortaleza, seguindo depois para Recife e o Rio de Janeiro.

Segundo Glauber Filho, a idéia de produzir o filme sobre o personagem surgiu a partir de uma conversa com a Associação Estação da Luz (a mesma que promove a Mostra Brasileira de Teatro Transcedental). ´Bezerra era um homem que estava à frente de seu tempo. Além do que, ele exerceu o ofício da Medicina como sacerdócio. Teve posses e se desfez dessas posses com o exercício da medicina. Exerceu a caridade ao extremo. Então, ele é um grande vulto da história social e política brasileira e ainda é considerado hoje um referencial dentro do universo espírita´, afirma o diretor.

Político atuante, Bezerra de Menezes, que tinha tendência para o modelo parlamentarista, levantava bandeiras sociais e ecológicas: foi responsável, por exemplo, por propostas de leis abolicionistas, de melhores condições para o empregado e de preservação ecológica.

Espiritismo

Apesar de abordar o tema da espiritualidade, Glauber Filho alerta que a produção não toma partido da religião espírita, sendo inteiramente baseada em fatos reais. ´Esse filme não é panfletário. A gente quer evidenciar essa trajetória de vida de Bezerra de Menezes e o que ele significa hoje. Resgatar a memória é o grande desafio´, frisa. ´Não existe uma fantasia, não existe um ´Ghost´. Existe a mensagem da espiritualidade no sentido da caridade, da compaixão, do amor ao próximo, completa.

Sabe aquelas coincidências estranhas do dia-a-dia ou aqueles problemas complexos que, a princípio parecem não ter solução e, repentinamente, surge aquela luz no fim do túnel? Então, Bezerra de Menezes coleciona várias histórias do tipo.

Em uma delas, o personagem, já morando no Rio e cursando Medicina, está com dificuldades financeiras. Quando pensa em desistir da profissão, eis que um aluno vai ao seu encontro pedindo uma aula de matemática. O estudante não só paga adiantado, como não aparece. Terá sido uma providência divina? Glauber Filho prefere deixar a questão em aberto: ´O universo espírita considera que isso foi uma ajuda da espiritualidade. Pra quem não é espírita, pode considerar isso uma grande coincidência´.

O vento também pareceu assoprar a favor do diretor. Glauber ressalta que a equipe não encontrou nenhuma dificuldade para rodar as cenas. Não houve quebra de equipamento, falta de verbas e até desintendimentos nos bastidores, problemas bastante comuns às produções cinematográficas. ´Tudo saiu dentro do cronograma´, diz Glauber. ´Será que foi Bezerra?´, interfere a repórter. ´Não sei se foi o Bezerra de Menezes, mas que tudo deu certo, deu certo´, afirma (risos).

Vida

A vida do personagem começa em 1831, na localidade de Riacho do Sangue, depois denominada de Jaguaretama, no Ceará. Por volta dos 18 anos, Bezerra vai para o Rio para se graduar médico. Lá, se elegeu vereador e deputado. O apelido Médico dos Pobres foi lhe atribuído por conta de seu trabalho realizado em prol dos desfavorecidos.

Juliana Colares
Repórter

sábado, 10 de novembro de 2007

Diretor de "Noel" diz ter feito filme na contramão do mercado


SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo

O diretor Ricardo Van Steen reconhece que fez "Noel - Poeta da Vila", seu primeiro longa-metragem, na contramão do mercado. Deliberadamente.

Dos amigos e/ou especialistas em cinema a quem mostrou seu roteiro, Van Steen ouviu avaliações negativas. "Todo mundo dizia que não estava bom. Se eu fizesse a opção de me aproximar de um distribuidor naquele momento, implicaria necessariamente refazer tudo com alguém indicado por ele. E eu não queria", conta.

Delegar o filme ao crivo de terceiros, para Van Steen, seria abrir mão de seu propósito com o filme. ""Noel - Poeta da Vila" é arte. Não é uma encomenda, Não é para atender demandas. É meu "Fitzcarraldo" pessoal", diz, citando o longa que resultou da odisséia de Werner Herzog pela Amazônia, nos anos 80. Van Steen levou dez anos para viabilizar seu filme, com R$ 4,5 milhões, obtidos por meio das leis de renúncia fiscal. Ele diz que o filme não tem a pretensão de "renovar a linguagem do cinema", mas traz o empenho de "encontrar imagens à altura da poesia do Noel".

Ainda sem distribuidor, o cineasta planeja lançar o longa até maio do ano que vem, quando se completam 70 anos da morte de Noel Rosa (1910-1937). "Não posso pensar em não estrear", diz. Com a participação em festivais --o longa esteve no Festival do Rio, neste mês, antes da competição na Mostra de SP-- o cineasta quer provar que "Noel - Poeta da Vila" é "um filme de público".

A aprovação popular, na opinião de Van Steen, confirma a volta por cima das avaliações iniciais, que apontavam o fracasso do projeto e acabaram servindo para que ele aperfeiçoasse à exaustão tanto o roteiro quanto a montagem do filme. O resultado final, diz, traduz "a força do presumido contra o poder da mão na massa".

Van Steen e Jorge Durán, diretor de "Proibido Proibir", feito com R$ 1,1 milhão e que também está sem contrato de distribuição, negociam atualmente com distintas empresas o lançamento de seus filmes.

"Esse fantasma [do engavetamento] se afastou um pouco", diz Durán. O cineasta brasileiro de origem chilena vê certo "exagero" na proposta de Rodrigo Saturnino Braga, da Columbia, de impedir o início de filmagens de projetos sem distribuição garantida. Mas diz que "ele tem razão que é melhor contar com um distribuidor desde a partida [do filme]".

Muito embora observe que uma distribuição garantida não seja sinônimo de sucesso. "Os distribuidores apostam em filmes que às vezes não dão em nada. Não é porque vão distribuir que você tem a segurança de que irá funcionar."


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Assisti "Proibido Proibir" e digo que é um filme excelente! Não tem mesmo nenhum fundo mercadológico, mas não consigo entender como um produção dessa qualidade continua sem contrato de distribuição! É crítico, sem ser previsível. Maravilhoso, na minha opinião!

Estou esperando bastante de "Noel - Poeta da Vila" também! Por tratar-se da história de um compositor famosíssimo e por ser dirigido por quem é, acho muito difícil me decepcionar! =D

Noel - Poeta da Vila (Noel - Poeta da Vila)


País: Brasil, 2006, 99 min
Direção:
Ricardo van Steen
Roteiro:
Pedro Vicente
Fotografia:
Paulo Vainer
Elenco:
Camila Pitanga, Rafael Raposo, Paulo César Peréio, Roberta Rodrigues, Flávio Bauraqui, Jonathan Haagensen, Supla

Descrição:
Anos 20: Noel Rosa tem um defeito no queixo, que disfarça com o cigarrinho pendurado na boca. Estudante de Medicina, toca no Bando dos Tangarás, um regional com jovens do bairro. Mesmo sendo branco de classe média, dá-se melhor com negros, operários e mulheres da vida. Conhece Ismael Silva e por meio dele chega ao mundo do samba, onde toma contato com pessoas como o pedreiro Cartola, da Mangueira. Descobre a malandragem. A partir de uma paródia ao Hino Nacional, compõe "Com Que Roupa?", seu primeiro sucesso. Aos 19 anos de idade, vende milhares de discos. Torna-se ídolo do rádio, é aclamado "arauto das aspirações cariocas" e "filósofo do samba". Celebridade, entrega-se à boemia. No Carnaval, conhece a operária Lindaura, de quinze anos, e começa a namorar. Meses depois, conhece a dançarina Ceci e por ela se apaixona. Divide-se entre as duas mulheres, trabalha muito, dorme pouco, vive gripado e fraco. Denunciado pela mãe de Lindaura como raptor e sedutor de menores, é obrigado a se casar sob pena de prisão. Descobre-se tuberculoso. Vai para Belo Horizonte e tenta recuperar sua saúde. Volta ao Rio de Janeiro, reencontra Ceci e abandona Lindaura. Torna-se parceiro de Ismael e do cantor Chico Alves. Em encontros ocasionais, engravida Lindaura. Ceci o deixa, e Lindaura perde o bebê. Noel bebe mais ainda. A tuberculose piora, ele mal consegue se locomover.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O motivo do grito





Falando de distâncias entre corações...




Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Porque as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado, questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então ele esclareceu:

- Vocês sabem por que se grita com uma pessoa? O fato é que quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam.
Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem.

É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam
palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será
tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.

"A boca só fala do que o coração está cheio, verifique sempre o conteúdo de seu coração"